Fãs do Philip Roth! Depois da adaptação de A Marca Humana (no Brasil o título no cinema é Revelações), está por aí o Fatal (em inglês ficou Elegy), adaptação do romance O Animal Agonizante.
Não vi essa segunda adaptação, mas já li resenhas e outros materiais na internet, além do treiler. Não sei...
Achei interessante que a diretora do filme é a espanhola Isabel Coixet, do sensibilíssimo - e megamelancólico - Minha Vida Sem Mim. Talvez fique melhor que o Revelações, que achei muito aquém do romance.
Outro filme - que também não vi, mas li coisas - da mesma diretora desse Fatal, adaptação de O Animal Agonizante, de Roth, é
A Vida Secreta das Palavras.
Que título interessante! Para que gosta de palavras, está aí um baita chamariz... A sinopse do filme da espanhola Isabel Coixet, que tirei do site "oficial", é a seguinte:
"Un lugar aislado en medio del mar: Una plataforma petrolífera, donde sólo trabajan hombres, en la que ha ocurrido un accidente. Una mujer solitaria y misteriosa que intenta olvidar su pasado (Sarah Polley) es llevada a la plataforma para que cuide de un hombre (Tim Robbins) que se ha quedado ciego temporalmente. Entre ellos va creciendo una extraña intimidad, un vínculo lleno de secretos, verdades, mentiras, humor y dolor, del que ninguno de los dos va a salir indemne y que cambiará sus vidas para siempre. Una película sobre el peso del pasado. Sobre el silencio repentino que se produce antes de las tormentas. Sobre veinticinco millones de olas, un cocinero español (Javier Cámara) y una oca. Y sobre todas las cosas, sobre el poder del amor incluso en las más terribles circunstancias."
domingo, 15 de março de 2009
A Medusa que valsa em Santa Cruz do Sul: romance de Valesca em terceira edição – pra ninguém deixar de ler
Anos atrás, quando li pela primeira vez o A Valsa da Medusa, lá por 2001, da Valesca de Assis, fiquei tão impressionado que desatei a anotar passagem. O romance saiu originalmente em 1989 – uma estréia de uma escritora já madura e habilidosa, como comenta Antonio Hohlfeldt na apresentação da obra.
Mas além de todo o clima produzido pelo desenrolar da história (ou das histórias), estava a me “causar espécie” o contexto da narrativa toda: tratava-se de Santa Cruz do Sul nos primórdios da colonização germânica na região, ou seja, os anos 50 do século XIX – quando, por Rio Pardo, passando pelo Faxinal do João Faria, adentrando por picadas nos loteamentos rurais mandados construir e bancados pelo governo provincial, assentavam-se gente humilde vindas de uma fria e convulsionada Europa, dentro de um projeto que ao mesmo tempo podia aliviar tensões sociais no “Velho Continente” e levar adiante uma política de ocupação e desenvolvimento do território brasileiro baseado na mão de obra “branca”, tida, na concepção racista em vigor (e ainda ecoando, infelizmente), como “salvadora do país”...
E um “detalhe” fundamental no romance de Valesca que me interessou intensamente: Não se tratava de uma apologia simplista do “loiro imigrante” e da “bravura alemã”, como cantado no hino santa-cruzense, marginalizando e estripando um processo social e histórico cheio de desdobramentos e vinculações. Não era uma “babação de ovo” de uma figura mitificada, “o colono”, como seguido caem até mesmo historiadores e outros intelectuais formadores de opinião. O livro a Valsa da Medusa, então lido sofregamente, humanizava essa gente e incluía mulheres, crianças, adolescente e velhos, além de personalidades fora da saga racistóide costumeira. Havia ali dramas e cotidianos “reais”, e não uma ladainha germanófila – embora demonstrasse a coragem, o risco, o empenho de milhares de pessoas que atravessaram o oceano e se meteram em densas florestas rio-pardenses, buscando aquilo que nos move a todos: FELICIDADE. Sim, ser feliz, em primeiro lugar, e não essa engrolação de “trabalho e progresso”, que só serve para discurso hipócrita e enfadonho de horas cívicas – mas que acabam pautando e justificando privilégios étnicos absurdos, violentadores.
Eu li um volume roto que estava disponível na biblioteca da Unisc. Depois, num balaio, fiz uma daqueles surpreendentes achados: ali estava um exemplar novinho da 1ª edição – que depois, nesses empréstimos que a gente faz, acabou se perdendo (desde que esteja sendo usado e repassado, não me importo). Mas em todas as rodas e conversas que se chega ao assunto de literatura e história local, lá vou eu a puxar a obra da minha amiga querida – uma amizade construída justamente pela minha empolgação pela A Valsa...
Além das anotações, escrevi logo após a primeira leitura um comentário, um pequenino ensaio sobre o livro, adaptado-o para a publicação em sessão de opinião de jornais da cidade. Uma cópia de um dos textos, através de alguém que recortou e levou a Valesca – passando antes pelo também excelente escritor e marido da própria, o Luiz Antonio de Assis Brasil –, fez iniciar um contato que dura até hoje. Que maravilha foi isso – fazer amizade através de um texto!
Agora, neste março de 2009, saiu a terceira edição revisada. Muito boa! Recebi pelo correio da sempre gentil e amorosa Valesca. Fez a punho uma dedicatória bonita e imerecida. Mas que me alegrou muito.
Ninguém que goste de literatura e história deve ficar sem ler A Valsa..., que supera em muito várias obras que prentendem contar a história santa-cruzense. Aqueles que são ligados a Santa Cruz do Sul – como nascidos ou moradores do município, por exemplo –, mais ainda devem se atentar, porque só têm a se enriquecer. Valesca é “filha da terra” e fala “de cadeira”. Nutriu-se de vivências pessoais e conhecimentos diversos, incluindo conversas com o falecido Hardy Martin, entusiasta da historiografia local – mesmo considerando o seu viés e caráter leigo de seu trabalho historiográfico –, fundador do museu e arquivo histórico do Colégio Mauá, além de “Indiana Jones” da arqueologia local, junto com outros pioneiros, como o professor Mentz Ribeiro, fundador do Centro de Pesquisas Arqueológicas (Cepa) da Unisc.
Para falar um pouco mais desta nova edição, uso o que escreveu Leonardo Brasiliense – outro escritor excelente, premiado com o Jabuti em 2007:
“(...) Valesca de Assis retoma seu primeiro livro e nos reapresenta este impressionante A Valsa da Medusa. (...) O cenário é a colônia de Santa Cruz do Sul, no centro da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, na segunda metade do século XIX. E não há como descrever com maior sensibilidade estética os obstáculos, as motivações e os conflitos psicológicos desses imigrantes alemães [entre outros personagens, acrescentaria, fora dessa designação] que o construíram [em conjunto e no contexto amplo da região de Rio Pardo, já ocupada – caso do Faxinal do João Faria, embrião da colônia de Santa Cruz – por outros grupos assentados e itinerantes, inclusive na própria selva – onde havia quilombolas e indígenas – e onde foram abertas as picadas e loteada a área com o trabalho de negros, sob a coordenação de servidores com origens lusas, pagos com recursos estatais]. No meio disso, a paixão inoportuna, impertinente, inadequada, no sentido mais rigoroso de cada um dos termos, entre uma mãe de família e o professor de seus filhos, solteiro. (...) A tensão humana captada (...) golpeando a alma do leitor (...) nesta valsa que provavelmente nunca aprendemos a dançar sem tropeços.”
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
A valsa da medusa
Romance
Valesca de Assis
Terceira edição revista
Março de 2009
Editoras Movimento e Edunisc
BIOGRAFIA
Natural de Santa Cruz do Sul, nasceu em 1945. Residiu em diversas cidades do interior do Estado. Em Porto Alegre, cursou a Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Professora de História especializada em Ciências da Educação, atuou, por diversas vezes, em atividades culturais.
Dedica-se atualmente à literatura, ministrando oficinas com ênfase no desbloqueio para a escrita criativa, tanto intensivas quanto extensivas.
Estreou como escritora em 1990, com a publicação de A valsa da medusa (Ed. Movimento, 1990, ora em terceira edição em parceria com a Edunisc), obra que recebeu Voto de Congratulações da Câmara de Vereadores de Porto Alegre.
Publicou o romance A colheita dos dias (Movimento, 1992, também em segunda edição), O livro das generosidades - receitas compartilhadas (Artes & Ofícios, 1997), Harmonia das esferas (WS Editor, 2000), PRÊMIO APCA/2000: REVELAÇÃO DE AUTOR (Associação Paulista de Críticos de Artes), Prêmio Especial do Júri da União Brasileira de Escriores (2002) e finalista do Prêmio Açorianos, além de além Todos os meses (AGE, 2002), Prêmio AGES/Livro do Ano/2003, para Crônica, de Diciodiário (Artes & Ofícios, 2005), Prêmio O SUL-Nacional e os Livros 2005, para a coleção GRILOS.
Em 2008 lança Vão pensar que estamos fugindo! - a história de uma viagem quase impossível (Bestiário).
Participou, ainda, de diversas antologias, dentre elas: A cidade de perfil (org. Sérgio Faraco, UE, 1994), Nós, os teuto-gaúchos (org, Luís A. Fischer e Renê Gertz, Ed. UFRGS, 1996), Crônica & Cidade (org. Ivette Brandalise, PMPA-CRL, 1997), Receitas de criar e cozinhar (org. Patrícia Bins e Dileta Silveira Martins, Bertrand Brasil, RJ, 1988), O livro das mulheres (org. Charles Kiefer, Mercado Aberto, 1999), O João Carlos (org. David Coimbra, clicRBS, 2000, Capítulo 8), Meia encarnada, dura de sangue (org. Ruy Carlos Ostermann, Artes&Ofícios, 2001), Contos de Bolso (Casa Verde, 2005), Contos de Bolsa (Casa Verde, 2006), Contos de Algibeira (Casa Verde, 2007) e Antologia de contistas bissextos, org. por Sérgio Faraco (L&PM, 2007).
Foi Membro e Presidente do Conselho Estadual de Cultura.
FONTE: http://www.valescadeassis.com
Mas além de todo o clima produzido pelo desenrolar da história (ou das histórias), estava a me “causar espécie” o contexto da narrativa toda: tratava-se de Santa Cruz do Sul nos primórdios da colonização germânica na região, ou seja, os anos 50 do século XIX – quando, por Rio Pardo, passando pelo Faxinal do João Faria, adentrando por picadas nos loteamentos rurais mandados construir e bancados pelo governo provincial, assentavam-se gente humilde vindas de uma fria e convulsionada Europa, dentro de um projeto que ao mesmo tempo podia aliviar tensões sociais no “Velho Continente” e levar adiante uma política de ocupação e desenvolvimento do território brasileiro baseado na mão de obra “branca”, tida, na concepção racista em vigor (e ainda ecoando, infelizmente), como “salvadora do país”...
E um “detalhe” fundamental no romance de Valesca que me interessou intensamente: Não se tratava de uma apologia simplista do “loiro imigrante” e da “bravura alemã”, como cantado no hino santa-cruzense, marginalizando e estripando um processo social e histórico cheio de desdobramentos e vinculações. Não era uma “babação de ovo” de uma figura mitificada, “o colono”, como seguido caem até mesmo historiadores e outros intelectuais formadores de opinião. O livro a Valsa da Medusa, então lido sofregamente, humanizava essa gente e incluía mulheres, crianças, adolescente e velhos, além de personalidades fora da saga racistóide costumeira. Havia ali dramas e cotidianos “reais”, e não uma ladainha germanófila – embora demonstrasse a coragem, o risco, o empenho de milhares de pessoas que atravessaram o oceano e se meteram em densas florestas rio-pardenses, buscando aquilo que nos move a todos: FELICIDADE. Sim, ser feliz, em primeiro lugar, e não essa engrolação de “trabalho e progresso”, que só serve para discurso hipócrita e enfadonho de horas cívicas – mas que acabam pautando e justificando privilégios étnicos absurdos, violentadores.
Eu li um volume roto que estava disponível na biblioteca da Unisc. Depois, num balaio, fiz uma daqueles surpreendentes achados: ali estava um exemplar novinho da 1ª edição – que depois, nesses empréstimos que a gente faz, acabou se perdendo (desde que esteja sendo usado e repassado, não me importo). Mas em todas as rodas e conversas que se chega ao assunto de literatura e história local, lá vou eu a puxar a obra da minha amiga querida – uma amizade construída justamente pela minha empolgação pela A Valsa...
Além das anotações, escrevi logo após a primeira leitura um comentário, um pequenino ensaio sobre o livro, adaptado-o para a publicação em sessão de opinião de jornais da cidade. Uma cópia de um dos textos, através de alguém que recortou e levou a Valesca – passando antes pelo também excelente escritor e marido da própria, o Luiz Antonio de Assis Brasil –, fez iniciar um contato que dura até hoje. Que maravilha foi isso – fazer amizade através de um texto!
Agora, neste março de 2009, saiu a terceira edição revisada. Muito boa! Recebi pelo correio da sempre gentil e amorosa Valesca. Fez a punho uma dedicatória bonita e imerecida. Mas que me alegrou muito.
Ninguém que goste de literatura e história deve ficar sem ler A Valsa..., que supera em muito várias obras que prentendem contar a história santa-cruzense. Aqueles que são ligados a Santa Cruz do Sul – como nascidos ou moradores do município, por exemplo –, mais ainda devem se atentar, porque só têm a se enriquecer. Valesca é “filha da terra” e fala “de cadeira”. Nutriu-se de vivências pessoais e conhecimentos diversos, incluindo conversas com o falecido Hardy Martin, entusiasta da historiografia local – mesmo considerando o seu viés e caráter leigo de seu trabalho historiográfico –, fundador do museu e arquivo histórico do Colégio Mauá, além de “Indiana Jones” da arqueologia local, junto com outros pioneiros, como o professor Mentz Ribeiro, fundador do Centro de Pesquisas Arqueológicas (Cepa) da Unisc.
Para falar um pouco mais desta nova edição, uso o que escreveu Leonardo Brasiliense – outro escritor excelente, premiado com o Jabuti em 2007:
“(...) Valesca de Assis retoma seu primeiro livro e nos reapresenta este impressionante A Valsa da Medusa. (...) O cenário é a colônia de Santa Cruz do Sul, no centro da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, na segunda metade do século XIX. E não há como descrever com maior sensibilidade estética os obstáculos, as motivações e os conflitos psicológicos desses imigrantes alemães [entre outros personagens, acrescentaria, fora dessa designação] que o construíram [em conjunto e no contexto amplo da região de Rio Pardo, já ocupada – caso do Faxinal do João Faria, embrião da colônia de Santa Cruz – por outros grupos assentados e itinerantes, inclusive na própria selva – onde havia quilombolas e indígenas – e onde foram abertas as picadas e loteada a área com o trabalho de negros, sob a coordenação de servidores com origens lusas, pagos com recursos estatais]. No meio disso, a paixão inoportuna, impertinente, inadequada, no sentido mais rigoroso de cada um dos termos, entre uma mãe de família e o professor de seus filhos, solteiro. (...) A tensão humana captada (...) golpeando a alma do leitor (...) nesta valsa que provavelmente nunca aprendemos a dançar sem tropeços.”
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
A valsa da medusa
Romance
Valesca de Assis
Terceira edição revista
Março de 2009
Editoras Movimento e Edunisc
BIOGRAFIA
Natural de Santa Cruz do Sul, nasceu em 1945. Residiu em diversas cidades do interior do Estado. Em Porto Alegre, cursou a Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Professora de História especializada em Ciências da Educação, atuou, por diversas vezes, em atividades culturais.
Dedica-se atualmente à literatura, ministrando oficinas com ênfase no desbloqueio para a escrita criativa, tanto intensivas quanto extensivas.
Estreou como escritora em 1990, com a publicação de A valsa da medusa (Ed. Movimento, 1990, ora em terceira edição em parceria com a Edunisc), obra que recebeu Voto de Congratulações da Câmara de Vereadores de Porto Alegre.
Publicou o romance A colheita dos dias (Movimento, 1992, também em segunda edição), O livro das generosidades - receitas compartilhadas (Artes & Ofícios, 1997), Harmonia das esferas (WS Editor, 2000), PRÊMIO APCA/2000: REVELAÇÃO DE AUTOR (Associação Paulista de Críticos de Artes), Prêmio Especial do Júri da União Brasileira de Escriores (2002) e finalista do Prêmio Açorianos, além de além Todos os meses (AGE, 2002), Prêmio AGES/Livro do Ano/2003, para Crônica, de Diciodiário (Artes & Ofícios, 2005), Prêmio O SUL-Nacional e os Livros 2005, para a coleção GRILOS.
Em 2008 lança Vão pensar que estamos fugindo! - a história de uma viagem quase impossível (Bestiário).
Participou, ainda, de diversas antologias, dentre elas: A cidade de perfil (org. Sérgio Faraco, UE, 1994), Nós, os teuto-gaúchos (org, Luís A. Fischer e Renê Gertz, Ed. UFRGS, 1996), Crônica & Cidade (org. Ivette Brandalise, PMPA-CRL, 1997), Receitas de criar e cozinhar (org. Patrícia Bins e Dileta Silveira Martins, Bertrand Brasil, RJ, 1988), O livro das mulheres (org. Charles Kiefer, Mercado Aberto, 1999), O João Carlos (org. David Coimbra, clicRBS, 2000, Capítulo 8), Meia encarnada, dura de sangue (org. Ruy Carlos Ostermann, Artes&Ofícios, 2001), Contos de Bolso (Casa Verde, 2005), Contos de Bolsa (Casa Verde, 2006), Contos de Algibeira (Casa Verde, 2007) e Antologia de contistas bissextos, org. por Sérgio Faraco (L&PM, 2007).
Foi Membro e Presidente do Conselho Estadual de Cultura.
FONTE: http://www.valescadeassis.com
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Frases de um cult: O Pequeno Príncipe...
Seguem trechos do livro O Pequeno Príncipe, do escritor Antoine de Saint-Exupéry, onde está aquela famosa frase
“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
E também há outra frase (duas, na verdade) famosa nesta "região" desta obra literária tão... digamos assim, tão cult (ou seria tão kitsch):
“Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”.
Eis os trechos:
- Minha vida é monótona [diz a raposa ao Pequeno Príncipe]. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passo que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Eu até gostaria, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa.
(...)
- Adeus, disse ele [o principezinho]...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
- O essencial é invisível aos olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
*SAINT-EXUPÉRY, Antoine. O Pequeno Príncipe. Tradução de D. Marcos Barbosa, 48ª ed., 2000, p. 68-74. FONTE: http://www.coperve.ufsc.br/provas_ant/2001-2D.doc
“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
E também há outra frase (duas, na verdade) famosa nesta "região" desta obra literária tão... digamos assim, tão cult (ou seria tão kitsch):
“Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”.
Eis os trechos:
- Minha vida é monótona [diz a raposa ao Pequeno Príncipe]. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passo que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Eu até gostaria, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa.
(...)
- Adeus, disse ele [o principezinho]...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
- O essencial é invisível aos olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
*SAINT-EXUPÉRY, Antoine. O Pequeno Príncipe. Tradução de D. Marcos Barbosa, 48ª ed., 2000, p. 68-74. FONTE: http://www.coperve.ufsc.br/provas_ant/2001-2D.doc
sábado, 24 de janeiro de 2009
Perdido
Folhas
Que caem
Em abismos
Os sons
Perdem-se
Ao longe
O sol está se pondo
E eu continuo indo
Para onde?
Que caem
Em abismos
Os sons
Perdem-se
Ao longe
O sol está se pondo
E eu continuo indo
Para onde?
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Como se fosse uma revista para as produções do pessoal
Enfim criamos o blog que combinamos no penúltimo encontro do Sobre Livros e Leituras. É para a publicação de textos dos freqüentadores e simpatizante do grupo Econtros Sobre Livros e Leituras. E diferente do outro blog, usado para ajudar na divulgação das atividades do grupo SL&L.
A idéia é que funcione como uma espécie de REVISTA de ensaios, comentários, artigos, contos, crônicas, poesias etc.
Por favor, dê uma olhada e ajude a finalizá-lo. E já dá para mandar suas colaborações para will190565@yahoo.com.br, e-mail do "webmester" (hahaha!!!) do troço.
O título ficou (ao menos provisoriamente) como LITERRATOS...
"Literratos" tem múltiplos sentidos: O primeiro: "Ratos de Literatura".
Assim como há "ratos de biblioteca", há "ratos de literatura", que não vivem sem uma leitura de romance, conto, crônica, fotonovela, Tio Patinhas..."Literratos" tem um pouco de "auto-deboche": gente que não é lá grandes coisas como escritor ou leitor. Ou seja, "rateia" - é um "ratão" nesse vasto mundo dos livros e das leituras.
"Literratos" pode ser lido num tom "francês". Faça um biquinho e diga comigo, como um Proust: "Li...tê...rrá...tôs".
Isso! Muito bem! Palmas!
Pode pedantemente soar com sotaque alemão. Siga as instruções: Incorpore o Goeth que há em você e tente falar em português a palavra "Literatos".
Viu? "Literratos", diria um Goeth, mas se referindo a "aqueles que vivem a literatura, produzem, degustam, falam sobre o assunto".
A idéia é que funcione como uma espécie de REVISTA de ensaios, comentários, artigos, contos, crônicas, poesias etc.
Por favor, dê uma olhada e ajude a finalizá-lo. E já dá para mandar suas colaborações para will190565@yahoo.com.br, e-mail do "webmester" (hahaha!!!) do troço.
O título ficou (ao menos provisoriamente) como LITERRATOS...
"Literratos" tem múltiplos sentidos: O primeiro: "Ratos de Literatura".
Assim como há "ratos de biblioteca", há "ratos de literatura", que não vivem sem uma leitura de romance, conto, crônica, fotonovela, Tio Patinhas..."Literratos" tem um pouco de "auto-deboche": gente que não é lá grandes coisas como escritor ou leitor. Ou seja, "rateia" - é um "ratão" nesse vasto mundo dos livros e das leituras.
"Literratos" pode ser lido num tom "francês". Faça um biquinho e diga comigo, como um Proust: "Li...tê...rrá...tôs".
Isso! Muito bem! Palmas!
Pode pedantemente soar com sotaque alemão. Siga as instruções: Incorpore o Goeth que há em você e tente falar em português a palavra "Literatos".
Viu? "Literratos", diria um Goeth, mas se referindo a "aqueles que vivem a literatura, produzem, degustam, falam sobre o assunto".
Literatura e provincianismo em Santa Cruz
Numa longa entrevista para o caderno Cultura de ZH, em 14 de setembro passado, a escritora santa-cruzense Lya Luft, ao falar sobre a confusão que muitas pessoas fazem entre sua vida particular e a ficção criada – ela ter tido uma infância e juventude “luminosas” e escrever romances “sombrios”, com personagens atormentados – fez com que mencionasse a mentalidade que muitas vezes prospera em certos lugares. Lya diz (página 5) que
“Houve gente em minha cidadezinha [Santa Cruz do Sul] que depois do [livro] ‘Reunião de Família’ não falava mais comigo. [...] Essa visão pequena e ingênua das pessoas ainda me incomodava, mas depois passou. [...] Um dia eu pensei ‘azar, vão se ferrar, não importa’.”
Lya exemplifica o paroxismo disso com o caso de uma parenta sua, que deixou um bilhete, proibindo a escritora de comparecer ao velório da “ofendida”. A parenta supunha que Lya houvesse revelado coisas particulares “terríveis” no romance...
Achei ilustrativo e muito útil para “problematizarmos” esse provincianismo que às vezes somos acometidos (ou submetidos). Não raro, a crítica, mesmo que indireta, a “vacas sagradas” – mitos, “costumes”, personagens da cidade – é visto como uma “traição”.
Bom que haja gente como Lya Luft para nos “socorrer”!
Claro que esse tipo de “condenação” era feita quando a escritora não tinha maiores projeções. Duvido que, agora, alguém se arriscasse. Ela tornou-se uma celebridade – talvez justamente por ter superado ranços de um orgulho xenofóbico e daquela moralidade de cuecas.
*Comentário de Iuri J. Azeredo
“Houve gente em minha cidadezinha [Santa Cruz do Sul] que depois do [livro] ‘Reunião de Família’ não falava mais comigo. [...] Essa visão pequena e ingênua das pessoas ainda me incomodava, mas depois passou. [...] Um dia eu pensei ‘azar, vão se ferrar, não importa’.”
Lya exemplifica o paroxismo disso com o caso de uma parenta sua, que deixou um bilhete, proibindo a escritora de comparecer ao velório da “ofendida”. A parenta supunha que Lya houvesse revelado coisas particulares “terríveis” no romance...
Achei ilustrativo e muito útil para “problematizarmos” esse provincianismo que às vezes somos acometidos (ou submetidos). Não raro, a crítica, mesmo que indireta, a “vacas sagradas” – mitos, “costumes”, personagens da cidade – é visto como uma “traição”.
Bom que haja gente como Lya Luft para nos “socorrer”!
Claro que esse tipo de “condenação” era feita quando a escritora não tinha maiores projeções. Duvido que, agora, alguém se arriscasse. Ela tornou-se uma celebridade – talvez justamente por ter superado ranços de um orgulho xenofóbico e daquela moralidade de cuecas.
*Comentário de Iuri J. Azeredo
Fritz, Frida e o Zé
O Zé Ramalho em plena Oktober reforça o caráter carnavalesco da festa. E mesmo quem não gosta desse evento comercial reforçador de uma visão perversora da teuto-brasilidade santa-cruzense, acho que é uma oportunidade ímpar.
Diz a reportagem que saiu num jornal da cidade em 11/10/2008:
"Pela primeira vez em Santa Cruz do Sul, o paraibano Zé Ramalho promete fazer um show inesquecível, com músicas que marcaram seus 30 anos de carreira."
"O cantor se apresenta no sábado, 18 [de outubro], às 23 horas, no palco principal [no Parque da Oktoberfest, centro de Santa Cruz]."
"Aqui ele apresenta o último trabalho, que define como mais uma etapa do seu percurso como artista, ao partilhar o sabor da criação."
Me chama a atenção os componentes literário-poético e filosófico da MPB de Zé Ramalho. Eis um trecho de uma letra que copiei no site (visite, é bacana!) http://www.zeramalho.com.br/:
"Eu não sou eu / eu sou você / eu sou todos nós / hoje eu mais nada faço / eu somente falo pela tua voz / hoje durante um segundo fiquei a sós / S.O.S. com o mundo / hoje encontrei no fundo do poço meu rosto / e agora posso saber que eu sou eu / eu sou você / eu sou todos nós"
*Comentário de Iuri J. Azeredo
Diz a reportagem que saiu num jornal da cidade em 11/10/2008:
"Pela primeira vez em Santa Cruz do Sul, o paraibano Zé Ramalho promete fazer um show inesquecível, com músicas que marcaram seus 30 anos de carreira."
"O cantor se apresenta no sábado, 18 [de outubro], às 23 horas, no palco principal [no Parque da Oktoberfest, centro de Santa Cruz]."
"Aqui ele apresenta o último trabalho, que define como mais uma etapa do seu percurso como artista, ao partilhar o sabor da criação."
Me chama a atenção os componentes literário-poético e filosófico da MPB de Zé Ramalho. Eis um trecho de uma letra que copiei no site (visite, é bacana!) http://www.zeramalho.com.br/:
"Eu não sou eu / eu sou você / eu sou todos nós / hoje eu mais nada faço / eu somente falo pela tua voz / hoje durante um segundo fiquei a sós / S.O.S. com o mundo / hoje encontrei no fundo do poço meu rosto / e agora posso saber que eu sou eu / eu sou você / eu sou todos nós"
*Comentário de Iuri J. Azeredo
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